A adoção do split payment no IVA representa uma mudança profunda na gestão do fluxo de caixa das empresas brasileiras. Até então, os negócios recebiam o valor total das vendas e realizavam o recolhimento dos tributos em data futura, o que possibilitava maior controle do capital de giro.
Com o novo modelo, parte do valor da transação é automaticamente destinada ao fisco no momento do pagamento — via Pix, cartão ou boleto. Dessa forma, a empresa recebe apenas o valor líquido, reduzindo sua autonomia sobre os recursos e exigindo novas estratégias para manter a saúde financeira.
O impacto é comparado a um “cateter direto” nas receitas: o governo antecipa a arrecadação e elimina o prazo de gestão do imposto dentro do ciclo financeiro. O efeito prático é a necessidade de mais capital de giro para honrar compromissos com fornecedores, folha de pagamento e despesas fixas.
Impactos por setor
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Varejo: margens reduzidas se tornam ainda mais pressionadas.
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Indústria e construção: cresce o descasamento entre compras antecipadas e recebimentos a prazo.
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Serviços: receitas líquidas diminuídas contrastam com custos operacionais integrais.
A implementação do split payment exige revisão de contratos, reestruturação dos sistemas de gestão e negociação de linhas de crédito. Adaptar-se rapidamente a essa nova realidade é fundamental para garantir a sustentabilidade financeira em um cenário de maior intervenção tributária
Fonte: Portal Contábil SC – Split Payment no IVA: Adeus ao seu fluxo de caixa?